domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ponte sobre o Rio Sabor - Izeda

ponte (...) “romana”, a Ponte de Izeda, alçada sobre o rio Sabor entre esta freguesia e a vizinha Santulhão (esta já pertencente a Vimioso), é um magnífico exemplar de arquitectura pontística, com seus múltiplos arcos e perfil “em cavalete”. Dotada de quatro talha-mares (que sobem até à altura do fecho dos arcos, mostrando um perfil arredondado a montante e agudo nos voltados e jusantes), a estrutura de alvenaria, em rocha xistosa da região apresenta um amplo arco central bastante aberto e mais quatro outros arquetes (dois de cada lado), estes já levemente apontados e de tamanhos desiguais. Sendo uma construção de fábrica inequivocamente baixo-medieval, esta ponte mostra-se estreita e dotada de guardas, sob a forma de muretes de topo abaulado).
Fonte: Câmara Municipal de Bragança

Ponte sobre o Rio Sabor - Izeda











Dólmen de Areita - Paredes da Beira

Dólmen de Areita

Dólmen composto pelo menos por 5 esteios. Desfruta de um vasto campo visual. Em dois dos esteios foram identificados diversos motivos gravados, merecendo especial destaque o conjunto patente na laje central. As gravuras são linhas em ziguezague na horizontal e na vertical. Uma figura antropomórfica. Pinturas - Linhas onduladas. A técnica de execução poderá ter sido conciliada a martelagem e/ou a fricção formando sulcos muito pouco profundos e quase esbatidos, não sendo de descurar a possibilidade de ter sido pintado. O espólio era variado, contendo restos arqueológicos, material lítico (micólitos e lâminas de pedra lascada, machados e goivas de pedra polida), objectos de adorno (contas discodais em vários materiais), moinhos manuais e material cerâmico (algum com decoração inciso em bandas horizontais.

Dólmen de Areita
















Castelo de Pena de Aguiar

Antecedentes

De acordo com a moderna pesquisa arqueológica, a primitiva ocupação humana desta região remonta à pré-história. À época da Invasão romana da Península Ibérica, os conquistadores foram para aqui atraídos pela presença de minérios de ouro, prata e chumbo. Posteriormente foram sucedidos por Visigodos e por Muçulmanos, estes a partir do século VIII.
O castelo medieval


Embora não hajam informações acerca da primitiva fortificação da penedia, habitada pelas águias que lhe deram o nome - Aguiar -, um castelo já existia à época da Reconquista, entre o século X e XI, na passagem da Alta para a Baixa Idade Média. A Crónica dos Godos refere que Al-Mansur [Benamet] "tomou o Castelo de Aguiar, que está na margem direita do [rio] Souza, na província Portucalense" (1033 da Era Hispânica, correspondente a 995 da Era Cristã).
O castelo foi cabeça da Terra de Aguiar, que posteriormente se constituiu no Concelho de Vila Pouca de Aguiar, tendo o seu nome ligado à Independência de Portugal, quando se acredita que o seu "tenens" fosse partidário de D. Afonso Henriques (1112-1185), de acordo com uma referência na hagiografia medieval de Santa Senhorinha de Basto. Por esse motivo a região foi invadida e o Castelo de Aguiar sitiado por uma força leonesa que pretendia sujeitá-lo ao reino de Leão ou, caso contrário, aprisioná-lo e substituí-lo. Na ocasião, D. Gonçalo Mendes de Sousa, senhor de domínios nas terras de Aguiar e de Panóias, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, apressou-se a socorrer as gentes do castelo.
Posteriormente, sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279), Telões recebeu a sua Carta de Foral (10 de julho de 1255). Nesse período considera-se que a fortificação começou a perder importância, uma vez que a partir de 1258 a população passou a se libertar gradualmente dos encargos de manutenção da daquela defesa.
O castelo sofreu diversas alterações em fins do século XIV.
Na passagem para o século XVI, a vila perdeu a sua importância administrativa, uma vez que se encontra integrada no Foral concedido a Aguiar da Pena, em 1515. Deste período conhecemos o nome de alguns dos alcaides do castelo, como:

Diogo Lopes de Azevedo;
Fernão Martins de Sousa(a partir de 17 de julho de 1534);
João de Souza Machado;e
Jerónimo de Souza Machado(1583-1594)
A partir de então cessam as informações relativas ao castelo, que se admite tenha deixado de ser utilizado para fins militares desde essa passagem do século XVI para o XVII.
Do século XX aos nossos dias
O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 26 de fevereiro de 1982.

Características

Do que resta de seu conjunto, depreende-se tratar-se de um antigo castelo roqueiro, em estilo românico, dominado por duas torres: uma a norte, de planta retangular, ligada por uma cortina semi-circular a outra, a sueste. Nesta segunda torre, com cinco faces irregulares, no muro oeste rasga-se uma porta para a barbacâ, cujos muros são adossados a grandes pedregulhos. Uma segunda abertura, no muro norte, comunica com uma praça de armas de reduzidas dimensões, delimitada por ambas as torres.

Castelo de Pena de Aguiar
















Castelo de Pena de Aguiar
















sábado, 7 de fevereiro de 2009

Castelo de Penas Róias

Elementos Históricos:

Pouco ou nada se sabe do passado desta povoação do concelho de Mogadouro. Pensa-se que terá tido fundação lusitana e que foi posteriormente ocupada por romanos e muçulmanos.
Quando a fortaleza romana caiu em poder dos cristãos, o rei de Leão doou-a à Ordem dos Templários, que se encarregou de a repovoar e defender, reedificando a fortaleza romana.
Durante o reinado de D. Sancho I, foi novamente repovoada a vila de Penas Róias, passando a concelho.
Mais tarde, em 1319, D. Dinis transferiu a povoação para a Ordem de Cristo, sendo provável que lhe tenha também mandado restaurar as muralhas e o castelo.
O castelo ergue-se a cerca de 80 metros da aldeia de Penas Róias, com acesso por caminho sinuoso e pedregoso que se situa a Este. único ponto que necessitaria de defesa mais cuidada.
A aldeia de Penas Róias possuía um sistema defensivo bastante humilde. Era constituído por uma cerca amuralhada com quatro cubelos (dois facetados e dois cilíndricos) e uma torre quadrangular no centro da praça de armas, à qual se acedia por uma única porta, bem defendida.
Actualmente, apenas resta uma torre do que em tempos fora um importante castelo Templário.
Do monte onde se levantava o castelo e onde existem hoje restos de muros e cubos medievais, pode admirar-se a linda paisagem que, entre outras coisas, inclui a igreja de Azinhoso e, mais ao longe, Mogadouro.

Cronologia:

1166 - Início da construção do castelo de Penas Róias; a mando de Gualdim Pais, Mestre Geral dos Templários;
1258 - Inquirições de D. Afonso III sobre o local;
1272 - Concedido foral por D. Afonso III a Penas Róias e Mogadouro;
1273 - Nova concessão de foral a Penas Róias por parte de D. Afonso III;
1512 - D. Manuel dá Foral Novo;
1977 - Descobertos restos de colunas quando se lavrava a terra.

Tipo de Arquitectura:

O castelo de Penas Róias é uma fortaleza militar medieval que foi pertença dos Templários, mas que actualmente se resume a pouco mais que uma torre alcantilada, de planta quadrangular com 5 metros de lado, de aparelho simples à base de xisto quartzítico misturado com argamassa.
A cantaria predomina nas janelas existentes a sul e a este. A porta situa-se a oeste, a cerca de seis metros de altura, e é igualmente feita de cantaria. No lintel podemos observar a cruz pátea templária com a seguinte inscrição: “Gualdim Pais, mestre geral dos Templários, mandou fazer o castelo de Pena Roia, iniciando os trabalhos a 4 das Calendas de ... era de 1204 sendo freires assistentes frei João Francisco ...”.
A estrutura frágil da torre não permite o acesso à mesma. Perto dela existe uma pequena torre circular com uma base em talude de execução recente.

Relação histórica e cultural com castelos vizinhos:

Os Castelos aos quais o de Penas Róias está infimamente ligado é aos castelos de Algoso, Mogadouro e Miranda do Douro bem como, embora mais deslocado com o de Bragança, constituindo no seu conjunto o núcleo duro do Nordeste transmontano.
No castelo de Algoso residia o representante do rei que arrecadava os direitos reais em terra de Miranda e Penas Róias.

Castelo de Penas Róias











Castelo de Penas Róias
















Castelo de Algoso


A antiga vila transmontana de Algoso foi sede de concelho até 1855, ano em que foi extinto e incorporado no município de Vimioso. No extremo sul da povoação ergueu-se o castelo, obra de Mendo Rufino dos finais do século XII, possivelmente ainda reinado de D. Afonso Henriques, embora alguns autores se inclinem mais para a sua construção, pelo mesmo Mendo Rufino, mas já no tempo de D. Sancho I, a quem de resto o patrocinador do reduto o ofereceu, recebendo a título de recompensa o senhorio de Vimioso. O pequeno castelo surge no alto do Monte da Penenciada, um cabeço penhascoso que se despenha quase a pique, a mais de 600 metros, sobre o Rio Angueira, que por sua vez vai confluir a oeste com o Maçãs. Quem segue pela estrada de Mogadouro para Vimioso não pode deixar de se impressionar quando, a meio caminho entre as duas localidades, topa com este castelo. Irresistível se torna, pois, a subida a Algoso, nos tempos medievais chamada Ulgoso e Ylgoso, de onde se desfruta de uma vista deslumbrante. Como deslumbrante é também o castelo, como já se disse de reduzidas dimensões, que fez parte de uma linha defensiva de antiquíssimos tempos com mais três fortificações: as do Milhão e de Santulhão, destruídas talvez pelos leoneses ainda durante os primeiros reinados portugueses, e a do Outeiro, hoje praticamente em completa ruína. O castelo de Algoso, construído à base de xisto quártzico e granito, é de planta rectangular, com entrada pelo lado norte por porta em arco pleno, defendida pelo que resta de um cubelo, já sem merlões. Surge então a pequena praça de armas, onde aparecem, tal como no exterior, panos de muralha em paralelo com a penedia, que em muitos pontos funciona como alicerce da cerca. Os dois primeiros destinavam-se à zona habitacional e o último à defesa. Ainda na época medieval, o Castelo de Algoso foi cedido, por D. Sancho II à Ordem do Hospital (depois Ordem de Malta), em 1226, e nele residiu o representante real das terras de Miranda e de Penas Róias, ambas ainda acasteladas nos tempos de hoje, se bem que nesta última localidade muito pouco resta da fortificação aí erguida. Já no século XVIII, mais concretamente em 1710, por alturas da invasão espanhola motivada pela Guerra dos Sete Anos, Algoso sofreu saques, tal como outras terras desta região. O principal alvo dos espanhóis foi Miranda do Douro, cuja fortaleza quase se viu reduzida a escombros na sequência de enorme explosão no paiol, mas as localidades da zona do Vimioso também não escaparam à fúria da nação vizinha. Algoso, no entanto, conseguiu resistir aos ataques e evitou a ocupação, apesar da sua guarnição, comandada por um alferes, ser pouco numerosa. Aquando das invasões francesas ficou célebre o nome de juiz de fora de Algoso, Jacinto de Oliveira Castelo Branco. Este magistrado, além de não acatar em 1808 as ordens de Junot, continuava a usar nos processos o nome de Sua Alteza Real, apesar de D. João VI já ter embarcado com a família para o Brasil e os franceses terem declarado abolida a dinastia de Bragança.

* In " Portugal Eterno", Tesouros do nosso património arquitectónico, suplemento do jornal "O Público".

Castelo de Algoso











Castelo de Algoso